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26/11/2009

Use somebody

Off in the night, while you live it up, I'm off to sleep
Waging wars to shake the poet and the beat
I hope it's gonna make you notice...

 


Escrito por Rachs às 17h38
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19/11/2009

Mundo em cores

 

“Era uma vez uma cor muito rara e muito triste que se chamava Flicts. Não tinha a força do Vermelho, nem a imensa luz do Amarelo, nem a paz que tem o Azul. Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts”.

Esta frase é de um dos meus livros favoritos da vida: Flicts, do escritor Ziraldo. Lembro que quando li pela primeira vez me senti superbem por, enfim, conseguir nomear aquele lápis sem personalidade. Sabe quando os lápis de cor são tão usados, mas tão usados, que começam a ficar menores e menores, pois apontamos sempre? Pois bem... Esse lápis sem nome sempre terminava o ano maior do que os outros, de tão de lado que eu o deixava. Era uma mistura de amarelo com marrom, e só servia para fazer a areia da praia ou para pano de fundo de desenhos tristes. Até que li o livro de Ziraldo e me entusiasmei. Flicts! Este era o nome da cor sem graça. Então, só para demonstrar meu conhecimento, guardei este lápis em casa e, na escola, o pedia emprestado para os amigos com a frase: “Me empresta a cor Flicts, por favor?”. Infelizmente, ninguém me entendia. Felizmente, eu gostava muito de explicar!

Contei pra todo mundo que Flicts era bem infeliz por não conseguir fazer parte de nada e de nenhum desenho no mundo. Ele se sentia sozinho, excluído e diferente. Por isso, eu decidi usá-lo em todos os meus desenhos a partir daquele dia.

Por muito tempo continuei pensando na tristeza de Flicts e comecei a perceber ao meu redor muitas “pessoas Flicts”, que eram excluídas por outros simplesmente por serem de uma determinada religião, ou por não usarem as roupas mais caras, ou por não serem tão espertas ou bonitas.

E não me surpreendi quando olhei para mim mesma e vi que eu também era um tanto... Flicts! Foi que parei de me esforçar para fazer parte de algum grupo que não me aceitava do jeito que eu era, que só sabia olhar para minha aparência e para o que eu tinha ou não tinha. O próximo passo foi conhecer melhor as outras pessoas que eu mesma excluía, pois julgava sem saber como eram de verdade. Imaginem só minha surpresa ao encontrar amigos muito mais interessantes e divertidos do que os que eu tinha antes.

Hoje em dia continuo super-flicts! E, assim como no final do livro (que você deve ler!), eu encontrei o meu lugar neste mundo grande e cheio de cores para todos os gostos.

 

Raquel Carneiro é jornalista e, na maioria das vezes, parece igual, mas adora ser diferente

 

Texto originalmente publicado na revista Atrevidinha de novembro


Escrito por Rachs às 17h33
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22/07/2009

Surpresa

 

Ele chegou do nada, sem mandar um aviso prévio. Nem um mísero recado virtual ou telegrama com os dizeres: “Oi, o homem da sua vida está chegando. Se prepare!”.

Mas não. Ele chegou do nada. Sem avisar. E eu nem estava esperando... ok, mentira... que atire o primeiro sutiã a feminista que não está constantemente esperando para conhecer alguém interessante. No fundo, lá no fundo, eu estava esperando. Em segredo, calada no meu canto, como se a vida passasse diante dos meus olhos sem a minha interferência, uma mera telespectadora da trama do universo dirigida pelo cara que fica sentado na cadeira de diretor lá em cima, sem nenhum Oscar na prateleira... e quem precisa de um Oscar? Não os meus filmes favoritos.

E assim ele chegou. Do nada, com uma roupa que não tinha nada do meu gosto, e um jeito que me incomodava no começo, mas logo parei de reparar. Nem o achei bonito. Ok, segunda mentira, é impossível não o achar bonito. Ele pode não parecer um ator global, mas é impossível dizer que ele é feio, e ai de quem tentar falar isso perto da minha pessoa. Pois aprendi a defendê-lo com unhas e dentes, assim como fazem os pais ao assumirem que os filhos são os mais lindos e inteligentes do mundo. Assim é comigo. Ele é lindo, inteligente, e chegou de surpresa, como um presente de muitos aniversários atrasados. Como se Deus mandasse um cartão no bolso do paletó dele dizendo: Querida Raquel, aceite esse presente por todos os anos que você tem sido uma boa garota. Ok que vou deixar de lado alguns tropeços que você teve, afinal, que humano criado por mim não tem seus deslizes? Mas o que importa é que Eu acho que você merece o melhor... e aqui está o meu melhor para você. Com carinho. Beijos. Ass. Deus.

É... seria assim se tivesse um cartão no bolso dele. Mas não tinha, no entanto ele foi uma surpresa, e continua a ser todos os dias.


Escrito por Rachs às 18h47
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29/05/2009

Vida em preto e branco

Suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you
Kiss me so sweet

 

 


Escrito por Rachs às 17h30
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22/03/2009

Lembra?

 

Acho muito bonito como o ser humano adora falar de amor. Filmes, novelas, casais de reality shows, tudo parece motivo para falar do sentimento mais nobre do mundo. O amor. Pena que nem metade da população humana saiba o que é o amor puro. Todos amam. A sua maneira.

Amam o status social de seu parceiro. Amam as belas roupas que seu amigo exibe. Amam a mesada que o pai dá religiosamente. Amam um Deus que tem que dar coisas boas a vida toda se quer ser amado de vez em quando.

Temos mania de amar coisas. Não pessoas. Amamos aparências. Amamos causar inveja. Amamos fazer coisas para nos gabarmos depois.

Amamos fazer parte de um grupo para espalharmos por ai que somos normais e aceitos. Amamos fazer mal a quem nos fez mal.

Amamos ver quem não gostamos se dando mal.

Enfim, desconfio muito do uso do amor às avessas.

Pra mim o amor era diferente. Pra mim ele era um sentimento puro.

Lembra quando eu disse que te amava? Eu não menti. Eu só me enganei.


Escrito por Rachs às 12h29
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05/03/2009

O tamanho da alma

"Quando eu disse ao caroço da laranja que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou estupidamente incrédulo"
(Hermógenes)

"Tamanho não é documento, diz a formiguinha com desdém. Enquanto a baleia está em extinção, eu vou indo muito bem"
(Silvio Ribeiro de Castro)


Escrito por Rachs às 18h48
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21/02/2009

Foi embora

 

Ela foi embora, sem dizer adeus. E não, esse não é um texto poético cheio de metáforas para chegar ao final e dizer que ela era alguma coisa. Por isso digo desde já: a vista, minha tão querida vista, foi embora.

Eu faço parte de um grupo muito seleto de pessoas estranhas que admiram os pequenos detalhes da vida. E eu adorava o fato de morar em São Paulo e ter um terreno baldio ao lado da minha janela.

Ok, a vista da minha janela não dava para o Pão de Açúcar, para uma bela praia, ou até mesmo para o verde do Parque do Ibirapuera. A minha vista é voltada para a Av Paulista, mas não conseguia vê-la na verdade. Alguns prédios atrapalhavam a visão, mas dava para ver os prédios e a antena da Record iluminada durante a noite a invadir o meu quarto como se fosse um plágio muito mal feito da Torre Eiffel.

Mas agora tudo se foi. Como a cidade de São Paulo não perdoa um mísero terreno vazio no meio de um bairro em potencial, o meu também não foi esquecido.

Além de agüentar as batucadas dos pedreiros que começam logo as 7 da matina a assobiar músicas do Fábio Júnior, antes de ligarem as maquinas barulhentas, agora eles levaram junto ao meu sono a minha vista.

E tenho que dizer que sinto saudade dela todos os dias. Assim como sinto saudade daquele amor que não foi de verdade. Que veio, fingiu ser um monumento histórico, e não passava de um plágio. Mas mesmo assim dá saudade quando coisas que admiramos, e nem sabem que são admiradas (e por vezes nem merecem esse apreço), vão embora pela mão humana.

Seja pela de um pedreiro com mal gosto musical, seja pela garota que eu nem percebi que era uma ameaça a minha felicidade...


Escrito por Rachs às 22h19
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27/01/2009

E o Rio de Janeiro ficou, por alguns minutos, mais bonito

 

Às vezes me pergunto por que decido colocar meus pés no mundo das baladas de novo. E pior, por que continuo a ir sozinha com uma amiga bonita, que logo vai ser cantada por um cara e vai me abandonar no meio da pista.

Mas ok, era só mais essa vez, afinal, não é todo dia que se está no Rio de Janeiro, em pleno alto verão, cheio de festas com famosos e contatos profissionais em potencial. Ahhh quem eu quero enganar, o único contato que eu queria fazer não tinha nada de profissionalismo. Mas essa nunca deixa de ser uma boa desculpa para infiltrar minha cara paulistana (avermelhada pelo excesso de sol) em uma das festas mais badaladas da noite carioca.

Sem delongas, lá estava eu, duas horas depois do inicio da festa, já abandonada pela minha amiga bonita, e também pelo DJ, que decidiu tocar todas as piores músicas do inicio dos anos 80, e pelos meus pés, que são os primeiros a quererem ir para a casa, sempre.

Abandonada e levemente gripada, a solução não era outra a não ser ficar balançando de um lado para o outro perto de um grupo cheio de pessoas, para parecer que estava com eles. Claro que quando notada como intrusa, essas pessoas se fecharam no seu mundo e me excluíram com todo prazer. Esse é o momento que dá a maior vontade de cruzar os braços e encostar em algum lugar, mas não. Cruzar os braços na balada é assinar o suicídio social e pedir para que um bêbado chato venha mexer com você, falando para não ser tão desanimada e ir dançar com ele no meio da pista. Braços cruzados não Raquel, nunca.

Outra maneira de fingir que não está sozinha e infeliz em uma festa é procurar um bom lugar para sentar, só para parecer que está dando um tempo, ou fugindo de um ex-namorado, ou simplesmente mandando uma mensagem para alguém – ter um celular neste momento é crucial.

Tudo que eu queria naquele momento era estar com meu All Star sujo e incrivelmente confortável, e minha camiseta da Amelie Poulain, para que algum reparador me apontasse dizendo: Veja, uma paulista fora do ninho.

Mas isso nem era necessário, eram tantas mulheres bonitas e malhadas naquela festa, que passar despercebida com cara de turista foi a coisa mais fácil que fiz durante as férias.

Foi quando, de repente, ele sentou na cadeira ao meu lado.

- Oi, cansou da festa? – perguntou o cara, o que eu mais queria ver no mundo no mundo dos famosos, o motivo por eu ter pago a entrada mais cara da minha vida, ali, do meu lado.

Seja inteligente, seja inteligente, pensava minha cabeça na esperança de chamar a atenção de alguma maneira, que eu esperava que mais nenhuma outra menina/modelete da festa conseguiria.

- Éhhh... um pouco.

Caraca Raquel, isso não foi inteligente.

- Você é de São Paulo? – perguntou ele olhando bem no fundo dos meus olhos.

- Pois é, como descobriu? Pela falta de jeito na noite carioca?

- Não, foi mais pela marca de biquíni que mostra que você torrou no sol, como se nunca o tivera visto!

Aiai... esses atores que pagam de carioca. Mas eu estava tão feliz de falar com ele que ri como se fosse a coisa mais engraçada que tivesse ouvido na vida.

- Na verdade desconfiei que fosse de SP, pois você estava tirando foto da decoração. Ninguém no Rio tira fotos de coisas que acham bonitas.

Pois é, e nem de famosos... infelizmente, pois meu maior desejo neste momento era arrancar minha máquina fotográfica da bolsa e fazer um book desse cara. E também preciso lembrar, a decoração era artística e criativa o suficiente para que eu quisesse guardar para sempre.

Assim continuamos a conversar. Ele me perguntou sobre minha vida, eu contei tudo, sem esconder quase nenhuma parte. E eu perguntava sobre ele, como se já não soubesse tudo que se poderia saber.

Eu odeio livros de auto-ajuda, mas quer saber? Tudo que eu queria naquele momento era já ter lido algum com o tema: 10 maneiras de agir quando conhecer um famoso que admira muito sem deixá-lo perceber que você o admira muito.

Ao reparar ao meu redor, me senti em um episódio de Gossip Girl, no qual todas as meninas da festa nos olhavam, me recriminando: Como assim, ele está falando com essa esquisita que tem a coragem de vir a uma festa de cabelo enrolado??? Impossível.

Eu também achava impossível, até o momento que ele chegou sua cadeira mais perto da minha e pegou da minha mão, encostando levemente seus dedos nos meus, para pegar minha câmera, enquanto eu mostrava as fotos das paisagens cariocas que tinha feito.

- Olha só... eu já tinha esquecido como a vista do Pão de Açúcar era bonita. Faz tantos anos que não subo lá.

Bonito era ele, olhando atentamente minha câmera e pegando no meu joelho toda vez que queria me mostrar sua foto favorita.

- Você é uma artista, ham? Tirou fotos lindas.

- Pois é, eu tiraria uma com você agora se não fosse brega tirar fotos de famosos no Rio de Janeiro.

Ele riu muito. Foi então que apontou a câmera para nós dois, segurando com força na minha cintura, e tirou nossa foto. Ele me entregou a câmera sorrindo e disse:

- Essa é para você não se esquecer do chato que veio te incomodar enquanto você estava entediada com a balada.

Como se fosse possível esquecer aquele momento. Quando decidi tomar alguma atitude, convidá-lo para ir de novo ao Pão de Açúcar, ou algo menos turístico, o celular dele tocou. Me pediu licença para atender. Ficou alguns minutos em pé, enquanto os paparazzos se posicionavam, esperando, assim como eu, que entre nós saísse uma boa fofoca para as manhãs de segunda-feira.

- Desculpe, eu estou esperando uma pessoa. Ela está lá na entrada e não quer subir. Preciso ir.

Ir? Pra onde? Com quem? Como assim?

Deveria existir um livro com o nome: Como ser famoso e não quebrar o coração das pobrezinhas que são apaixonadas por nós e não temos a responsabilidade de saber isso.

- Ok – respondi seca, querendo jogar algo pesado na testa dele.

- Foi um prazer te conhecer Raquel, a jornalista de São Paulo que tem o sorriso mais bonito que já vi. Quando estiver por lá eu te ligo para fazermos algo.

- Ahh claro, assim que você pedir meu número de telefone, certo?

Risos a parte, ele se foi no meio da multidão, com direito a gelo seco e luzes coloridas, para simboliza que aquele era o fim, não só de um momento, mas também de um sonho. Enquanto as menina/modeletes/chapinhas me olhavam com pena e o balãozinho acima de suas cabeças estava escrito: pobrezinha, achou mesmo que ele estaria afim dela...

É, eu achei.

Assim como muitas vezes achei que lugares cheios de pessoas lindas, ricas e famosas também fosse meu lugar, mas não sei mais se acredito nisso, afinal, se não posso usar minha blusinha da Amelie e meu All Star encardido, qual a graça disso tudo?


Escrito por Rachs às 01h02
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15/12/2008

Você sabe o que é o amor?

O que é amar?
Eu acho que amar é tanta coisa.
Eu amo sabiam?
Sério!
Pra mim, amar é sentir falta de ter por perto. De querer um abraço, um conselho, um beijo... Mas amar, acima de tudo, é errar.
Mas amar, como eu dizia para uma velha amiga, era superar os defeitos alheios, porque gostar de qualidades me parece bem fácil, não é?!

Eu amava quando minha sobrinha, sentada no meu colo, deitava no braço contrário ao que a cabeça dela deveria estar. E ali ela dormia. Tranqüila e segura. Mal sabia ela que eu sou péssima para segurar crianças... Que eu morria de medo a cada movimento brusco do carro, achando que ela cairia ou bateria a cabecinha na janela. Mas ela dormia. Porque ela confiava e amava. E eu protegia. Porque eu simplesmente amava. Enquanto isso eu me debatia no carro me machucando, só pra que ela não fosse atingida. Tiveram vezes que, sem querer, a deixei bater a cabeça, ela chorava e eu me sentia culpada. Mas logo, de tanto eu assoprar e passar a mão na cabecinha, ela se acalmava e voltava a dormir.

Ou quando eu amava minha cadelinha preferida, que mesmo depois de meses, que meus pais nos separaram, acabei reencontrando a pobre na rua sozinha. Ela me reconheceu. E eu, ainda pequena, também a reconheci. Então eu comecei a chorar e ela veio correndo com aquele rabinho abanando em minha direção. Foi uma festa! Nós sempre nos amamos.

Teve também aquela vez que eu fiquei mal por causa de um cara qualquer, de uma vida qualquer, e liguei chorando pra minha irmã mais velha. Porque eu sabia que ela me atenderia, me aconselharia e não seria exagerada como minha mãe, ao ponto de querer me buscar na cidade onde eu morava. Porque ela me amava na medida certa. E sabia que eu devia ficar ali. Mesmo que estivesse doendo. Mas eu devia ficar.

Ou aquela outra vez que também amei. O rapaz dos sonhos, de camisa de linha vermelha. Amei de longe. Sem nem falar. Só de olhar. Amei o cheiro do perfume misturado ao tecido quente e a pele que eu já conhecia muito bem. Amei. Só amei. De longe, só de olhar.

Amar é errar.
Amar é tentar proteger e não conseguir.
Amar é reconhecer através do tempo.
Amar é sofrer por um tempo e esperar a hora certa.
Amar é dar sua senha de e-mail sem medo pra alguém.
Amar é deixar machucar e depois passar a mão assoprando e dizendo que não vai mais deixar aquilo acontecer.
Amar é amar.

E eu sei amar. Mas não sei se sei ser amada.

E você? Já amou alguém hoje?

 


Escrito por Rachs às 21h28
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05/12/2008

O primeiro a gente nunca esquece

Depois de muito sonhar, pesquisar e pechinchar, eu o comprei. Meu primeiro laptop - pois é querido, não vou lhe enganar escrevendo em você que serás o único e eterno computador portátil da minha vida, já que seja eterno enquanto dure, posto que é aparelho tecnológico e em breve ficarás ultrapassado.
Enfim, finalmente enfiei as mãos pelas solas dos pés e cavei um pouco mais as dívidas financeiras que adoro angariar, afinal, o que é uma mulher em pleno século XX, no auge da revolução feminista, independente, que ainda usa algarismos romanos, se ela não tem um laptop para lhe ser a única coisa que faz barulho e tem temperatura na cama além dela? Decidida. Comprei o bichinho para poder escrever enquanto estou deitada antes de dormir a toa.
Ligo a criança, em estado de êxtase, e descubro mais uma dura verdade: além de carente estou fincando ultrapassada. Primeiro: por que esse bendito do windows precisa ficar mudando todo ano?  Ele não funciona direito em nenhuma de suas versões mesmo. Segundo: como se usa esse tal de windows vista? Já quero deixar claro que a única empresa com nome bem parecido já me levou mais dinheiro do que qualquer loja de sapato na vida. 
Começo a fuçar meu novo brinquedo e desligo desconsolada uma hora depois. Que foi minha filha? Não está feliz com o computador? Estaria mãe, se eu soubesse pelo menos onde fica o word dele...
Depois de algumas horas de mau humor decido dar lhe uma nova chance, assim como ao seu teclado resumido e apertado. E aqui estou, achei algum programa parecido com um editor de texto que insiste em me corrigir erroneamente, enquanto escuto musicas clássicas que já vêm no lap. Aquelas músicas do tempo em que os homens não eram artigos de luxo e sim malucos que morriam de amor e tuberculose. Neste clima faço minha primeira de muitas crônicas que serão feitas nesse meu novo amigo que só precisa de um nome. Alguma sugestão?


Escrito por Rachs às 16h04
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20/11/2008

 

Já brinquei de boneca

Já doei meus brinquedos

Já me fingi de morta

Já acordei morrendo de medo

 

Aprendi a contar

A pular corda

A andar de bicicleta

 

Depois aprendi a dirigir

Tentei tocar piano

Joguei futebol

E quase me afoguei na natação

 

Já cai e levantei

Já sonhei e desisti

Já acreditei e aconteceu

 

Senti borboletas no estômago

Fiquei noites sem dormir pensando em alguém

E dormi noites inteiras abraçada com minhas ilusões

 

Já contei estrelas, pelo menos tentei

Já perdi as contas de quantos favores prestei

Já corri atrás do nada

Já abracei sentindo saudade antecipada

 

Já chorei de dor

Já chorei por amor

Já chorei de rir

Já ri para não chorar

 

Fiz promessas para o espelho

Não cumpri quase nenhuma

 

Já matei barata

Já gritei de medo

Minhas pernas já tremeram de nervosismo

E também de alívio

 

Já li Machado de Assis

Gabriel Garcia

Revistas de beleza

e a Bíblia

 

Já quis fazer tatuagem

Já quis andar de jet ski

Já quis ser uma heroína de TV

Já quis atravessar paredes

Já sonhei que era chique e famosa

 

Já dei tchau para quem eu queria que ficasse

Já fiquei com quem eu queria que fosse embora

Já briguei com quem me maltratou

Já parei de telefonar para quem não merece mais a minha voz

 

Já peguei meu coração no chão

E levei para a enfermaria

Para tomar glicose

 

Já comi muito

Já fiz dieta

Já perdi o fôlego

E prendi a respiração para ver até quanto eu agüentava

 

Já pintei o cabelo

A unha

E o céu de lilás, pois o lápis azul tinha acabado

 

Já andei fora da linha

Foi então que errei o passo

Perdi a mão

Quebrei a cabeça

Bati o pé

E não consegui nada

Só a sensação de fracasso

 

Já fui de direita

Já fui de esquerda

Já acreditei em um mundo melhor

Não fiz nada para melhorá-lo

 

Já estourei o cartão de crédito (mais de uma vez)

Já economizei para viajar

Já viajei em meus pensamentos

Já apostei dinheiro

 

Já fingi que entendi

Já entendi mais do que queria

 

Já amei quem não me amava

Já estive dos dois lados do muro

Já bati com a cara no muro


Escrito por Rachs às 10h23
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10/11/2008

Hãm?

 

Confusa? Sim, mais do que gostaria.

Mas não é culpa minha, juro, ou pelo menos, acho...

Seria tão mais fácil alguém chegar e falar: olha Raquel, você fica AQUI, ok? AQUI. Faz isso e aquilo. Aquele outro não pode. Depois faz isso, depois vai pra casa, depois DORME tranquilamente, e amanhã acorda.

Coma, vá ao banheiro, escove os dentes, ande na calçada, não compre balas de estranhos, respire, não pense.

Nooossa, como seria maravilhoso. Viver no imperativo de alguém e não refletir sobre isso. A ignorância é uma benção, já diria o vilão de Matrix.

Mas não, eu penso, eu não como, durmo mais do que devia, faço isso em vez daquilo, ando na rua e prendo a respiração muitas vezes, só para sentir se ainda estou viva.

Como é difícil ser normal.


Escrito por Rachs às 19h33
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07/10/2008

Vida em tela

 

Local: Cidade pacata do interior.

Cenário: Domingo frio à tarde.

Personagens: Minha mãe, eu e o Faustão.

Situação: Eu e minha mãe, no quarto assistindo depressivamente ao Faustão.

Pensamento: Sonhos de uma adolescente.

 

Enquanto assistia ao programa mais legal das tardes chuvosas de domingo eis que minha mãe, que realmente estava prestando atenção na TV, solta o comentário: mas essa banda não é a da sua revista?

Quando fui ver, lá estava, o McFly no Faustão.

Lembrei rapidamente quando outra banda inglesa - de menininhos bonitos que eu gostava na adolescência - foi ao Faustão e eu fiquei suuuper feliz! Gravei para assistir por muitos dias seguidos. Aliás, todo programa que esta banda participou enquanto esteve no Brasil foi assistido e (re)assistido diversas vezes pela minha pessoa.

Não passava disso... a garotinha do interior, sem muito o que agir e fazer, a não ser assistir e sonhar. Esse era o máximo que eu achava que podia esperar da vida naquele momento. Viver através de uma tela fria e de diversas fitas cassetes que gravavam uma vida que eu queria chegar perto, conhecer, tocar... Queria sair do quarto apertado com a TV em canais ruins para respirar e testar de perto a vida do lado de fora do portão.

Como um flash esses pensamentos passaram pela minha cabeça enquanto minha mãe voltava a perguntar: não é Raquel, os meninos que saíram na capa da sua revista?

E em meio aos gritos das fãs adolescentes que estavam na platéia do programa, eu, com calma respondi: é sim mãe, mas vou me encontrar com eles pessoalmente para uma entrevista depois de amanhã. Então, desliguei a TV.


Escrito por Rachs às 17h24
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25/09/2008

Ensaio sobre a natureza humana

 

Este final de semana assisti ao filme Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles e baseado na obra do fantástico Saramago. Na história as pessoas começam, sem motivo, a perder a visão. Em um mundo onde ninguém vê nada o caos domina, pois a natureza freak animal dos seres humanos é quem manda.

Desde então não consigo pensar em outra coisa a não ser, e se agora, de repente, todo mundo ficasse cego? De repente a beleza visível das coisas se tornou desnecessária e os homens bonitinhos que vejo na rua só me fazem pensar uma coisa: e se ficássemos cegos agora? O que esse cara faria? Se tornaria um maluco sem respeito e sem medo de nada, pois seu anonimato está preservado? Ou seria um cara legal, daqueles que tentaria ajudar a outros, depois, é claro, de se acostumar com o susto da sua nova condição?

Como tudo converte para o mesmo lugar, eis que ontem eu estava andando a caminho de casa e um cara, cego, estava com seu cão guia e me olhou... como se me enxergasse... e pediu uma informação: Onde fica o Hospital 9 de Julho?

Fiquei sem saber direito como fazer, pois o hospital estava muito perto de nós, era só apontar para frente para alguém ver a direção. Mas apontar não adiantaria, certo? Então expliquei passo a passo como ele chegaria lá, como sou uma boa mulher sem muito senso de direção e de explicação, desisti e falei para ele me seguir que eu passaria ali em frente.

Enquanto andávamos ele fez muitos comentários do tipo: quantos carros parados! Ou chegando perto da rua que atravessaríamos ele diz: podemos atravessar? Fiquei meio assustada, como ele enxergava sem ver?

Deixei o rapaz e seu liiindo cão labrador guia no hospital e segui pensando...

Se em terra de cego quem tem um olho é rei... em terra que a maioria enxerga, quem consegue conversar com um estranho, por mais de um quarteirão e sem ver seu rosto, é quase um milagre.

Pois é... na real não percebemos, mas são os olhos que nos impedem de ver.


Escrito por Rachs às 11h30
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12/09/2008

Motivos

 

Sou uma fissurada por seriados. Consigo assistir temporadas em poucos dias e, se necessário, revê-las. Ok, passada a introdução, o motivo inicial era dizer que estou em uma fase total feminina com diversos episódios de Sex And The City. Ou seja, mulheres sozinhas cheias da grana, com amizades impossíveis e homens mais impossíveis ainda, ah, e claro, muito sexo.

Resumo da ópera: estou ficando deprimida.

Mas como toda boa série-maníaca. Seriado começado é seriado terminado.

E enquanto Sex And The City apresenta mulheres que conseguem marcar um encontro com um desconhecido na padaria ou em uma loja de móveis, eu não consigo um nem se for a um lugar com o nome “Encontre um Homem Hetero Aqui” - setinha luminosa apontando para a porta. Então fiz uma reunião de informações sobre o porquê estou solteira. Confira:

 

Segundo a galera do trabalho:

Você é muito exigente

 

Segundo meu ex:

Você é meio louca (ok, o meio eu que coloquei para não ficar chato)

 

Segundo o amigo tarado do meu ex:

Você deveria ficar comigo

 

Segundo minha amiga lésbica:

Tem certeza que é de homem que você gosta?

 

Segundo minha melhor amiga:

Calma... tudo tem seu tempo.

 

Segundo o namorado da minha melhor amiga:

Mas você ainda não tem um namorado, Raquel?

 

Segundo minha roomate:

Você gosta de pés sujos cults e não está mais na faculdade.

 

Segundo minha mãe:

Você usa All Star com vestido!

 

Segundo minha mãe parte 2:

Você só anda no shopping Frei Caneca.

 

Segundo minha líder religiosa:

Você ainda não está pronta.

 

Segundo eu:

Preciso parar de assistir Sex And the City


Escrito por Rachs às 17h20
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