Chiclete Na Panela


Princesa nervosa

 

Por um tempo na escola eu tinha um apelido que me irritava muito. Quer saber qual era? Promete não rir? Ok, lá vai... o apelido era: Rapunzel. Tudo por causa do meu bendito cabelo que era compridão e, como minha mãe saía muito cedo para trabalhar, quem me arrumava para ir à escola era meu pai, e trança era sua melhor (e única) especialidade com cabelos de meninas. Então todo santo dia ele fazia aquela trança enorme e eu ia para a escola ouvir dos “engraçadinhos” da sala a famosa frase: “joga as tranças, Rapunzel”. Claro que, no caso, eu jogava todo meu material escolar neles, enquanto riam e se divertiam com minha raiva.

Ao perceber tanto ódio no meu coraçãozinho, a professora me chamou para conversar, dizendo que não entendia por que eu ficava tão irritada a ser comparada com uma princesa! “Princesa?”. Pensei. Pois até aquele momento nunca tinha refletido sobre o fato de Rapunzel ser uma princesa.

No dia seguinte, empinei meu nariz, me maquiei e entrei na sala com meu improvisado andar de princesa. Quase pude ouvir fiéis súditos gritando palavras felizes para sua querida futura rainha! Mas as vozes dos súditos imaginários foram abafadas pelas gracinhas das pessoas da minha classe e logo se foi minha pose real, e voltei à antiga tentativa de ser a Tempestade de X-Men.

Percebi que os contos de fadas não eram para mim, mas ficar brava a cada momento de irritação também não me levaria a lugar algum. Com o tempo aprendi a controlar meus acessos de raiva, e quando parei de ligar para a galera que se achava engraçada, eles também pararam de ligar para mim, já que perdeu a graça irritar alguém que não se irritava.

E eu cresci com esse aprendizado bem preso dentro da minha cabeça: as pessoas só nos afetam se permitirmos que elas façam isso. Caso contrário, os insultos devem entrar por um ouvido e sair pelo outro... Por mais difícil que isso pareça, é possível sim, com muuuito treino, ignorar quem tenta se sentir melhor fazendo os outros se sentirem mal.

Enquanto isso... sabia que hoje em dia eu até gostaria de ganhar um apelido de princesa? Alguma sugestão?

 

Raquel Carneiro é jornalista e já ganhou apelidos piores do que Rapunzel... mas fica pra outra história!

 

Crônica originalmente publicada na revista Atrevidinha, ed 62



Escrito por Rachs às 17h15
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