Chiclete Na Panela


Coisa de criança?

 

Coisa de criança?

Eu tenho um ursinho de pelúcia. Pronto falei! E sim, durmo abraçadinha com ele sempre. Por que estou falando isso? É que, por parecer adulta do lado de fora, tem quem ache bem estranho eu ter um brinquedo por perto.

Minha mãe me deu o fofo quando eu tinha 11 anos, bem na fase em que minhas amigas já começavam a deixar de lado seus brinquedos para assumirem a pose de adolescente. Enquanto eu ainda gostava de assistir a desenhos e brincar de boneca.

Para não ser excluída, decidi continuar brincando escondida e fingir que já era a tal mocinha que todos falavam. Quando estava com meus brinquedos e ouvia alguém chegando, já batia o desespero. A tensão de ter de esconder as bonecas, ursinhos e afins era tanta, que poderia ser comparada a assistir ao lindo Edward brigando com os Volturi em Lua Nova.

Certo dia, na correria de esconder meus brinquedos, esqueci uma boneca à vista. Um primo “superlegal” a encontrou e começou a me zoar, sacudindo a pobrezinha para lá e para cá. Meu coração ficou apertado. Queria muito que todos continuassem pensando que eu era a quase-adulta responsável e crescida, e não mais uma criancinha boba. Mas também queria muito minha boneca de volta.

Foi então que tomei a decisão mais madura que aquele momento me permitiu. Eu olhei para minha mãe com os olhos cheios de lágrimas e falei:

— Mãe, manda ele devolver minha boneca.

Claro que todos olharam com cara feia para o primo do mal e, sem graça, ele me devolveu a coitada. Eu não ligava para o que falariam, pois era fato que eu ainda não estava pronta para me desfazer de nenhum dos meus brinquedos, e enquanto não estivesse bem segura com essa ideia, não o faria.

Passou um bom tempo depois desse episódio até chegar o dia em que os brinquedos começaram a ficar sem graça para mim e os dei para uma criança de verdade. Mas não, não consegui dar meu ursinho querido, e até hoje ele enfeita minha cama, com sua carinha de velho, mas me lembrando sempre que eu tenho a idade que eu quiser e que se divertir como uma criança pode ser o máximo até depois de já ter crescido um montão.

Texto publicado na revista Atrevidinha, ed 73.

 



Escrito por Rachs às 17h40
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