Chiclete Na Panela


Mundo em cores

 

“Era uma vez uma cor muito rara e muito triste que se chamava Flicts. Não tinha a força do Vermelho, nem a imensa luz do Amarelo, nem a paz que tem o Azul. Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts”.

Esta frase é de um dos meus livros favoritos da vida: Flicts, do escritor Ziraldo. Lembro que quando li pela primeira vez me senti superbem por, enfim, conseguir nomear aquele lápis sem personalidade. Sabe quando os lápis de cor são tão usados, mas tão usados, que começam a ficar menores e menores, pois apontamos sempre? Pois bem... Esse lápis sem nome sempre terminava o ano maior do que os outros, de tão de lado que eu o deixava. Era uma mistura de amarelo com marrom, e só servia para fazer a areia da praia ou para pano de fundo de desenhos tristes. Até que li o livro de Ziraldo e me entusiasmei. Flicts! Este era o nome da cor sem graça. Então, só para demonstrar meu conhecimento, guardei este lápis em casa e, na escola, o pedia emprestado para os amigos com a frase: “Me empresta a cor Flicts, por favor?”. Infelizmente, ninguém me entendia. Felizmente, eu gostava muito de explicar!

Contei pra todo mundo que Flicts era bem infeliz por não conseguir fazer parte de nada e de nenhum desenho no mundo. Ele se sentia sozinho, excluído e diferente. Por isso, eu decidi usá-lo em todos os meus desenhos a partir daquele dia.

Por muito tempo continuei pensando na tristeza de Flicts e comecei a perceber ao meu redor muitas “pessoas Flicts”, que eram excluídas por outros simplesmente por serem de uma determinada religião, ou por não usarem as roupas mais caras, ou por não serem tão espertas ou bonitas.

E não me surpreendi quando olhei para mim mesma e vi que eu também era um tanto... Flicts! Foi que parei de me esforçar para fazer parte de algum grupo que não me aceitava do jeito que eu era, que só sabia olhar para minha aparência e para o que eu tinha ou não tinha. O próximo passo foi conhecer melhor as outras pessoas que eu mesma excluía, pois julgava sem saber como eram de verdade. Imaginem só minha surpresa ao encontrar amigos muito mais interessantes e divertidos do que os que eu tinha antes.

Hoje em dia continuo super-flicts! E, assim como no final do livro (que você deve ler!), eu encontrei o meu lugar neste mundo grande e cheio de cores para todos os gostos.

 

Raquel Carneiro é jornalista e, na maioria das vezes, parece igual, mas adora ser diferente

 

Texto originalmente publicado na revista Atrevidinha de novembro



Escrito por Rachs às 17h33
[ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil





BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Breeze of Words
 Mari e Sopa de Letrinhas
 Blog do Euzer
 Aero-Porto
 Fora da Bolha
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis