Chiclete Na Panela


Princesa nervosa

 

Por um tempo na escola eu tinha um apelido que me irritava muito. Quer saber qual era? Promete não rir? Ok, lá vai... o apelido era: Rapunzel. Tudo por causa do meu bendito cabelo que era compridão e, como minha mãe saía muito cedo para trabalhar, quem me arrumava para ir à escola era meu pai, e trança era sua melhor (e única) especialidade com cabelos de meninas. Então todo santo dia ele fazia aquela trança enorme e eu ia para a escola ouvir dos “engraçadinhos” da sala a famosa frase: “joga as tranças, Rapunzel”. Claro que, no caso, eu jogava todo meu material escolar neles, enquanto riam e se divertiam com minha raiva.

Ao perceber tanto ódio no meu coraçãozinho, a professora me chamou para conversar, dizendo que não entendia por que eu ficava tão irritada a ser comparada com uma princesa! “Princesa?”. Pensei. Pois até aquele momento nunca tinha refletido sobre o fato de Rapunzel ser uma princesa.

No dia seguinte, empinei meu nariz, me maquiei e entrei na sala com meu improvisado andar de princesa. Quase pude ouvir fiéis súditos gritando palavras felizes para sua querida futura rainha! Mas as vozes dos súditos imaginários foram abafadas pelas gracinhas das pessoas da minha classe e logo se foi minha pose real, e voltei à antiga tentativa de ser a Tempestade de X-Men.

Percebi que os contos de fadas não eram para mim, mas ficar brava a cada momento de irritação também não me levaria a lugar algum. Com o tempo aprendi a controlar meus acessos de raiva, e quando parei de ligar para a galera que se achava engraçada, eles também pararam de ligar para mim, já que perdeu a graça irritar alguém que não se irritava.

E eu cresci com esse aprendizado bem preso dentro da minha cabeça: as pessoas só nos afetam se permitirmos que elas façam isso. Caso contrário, os insultos devem entrar por um ouvido e sair pelo outro... Por mais difícil que isso pareça, é possível sim, com muuuito treino, ignorar quem tenta se sentir melhor fazendo os outros se sentirem mal.

Enquanto isso... sabia que hoje em dia eu até gostaria de ganhar um apelido de princesa? Alguma sugestão?

 

Raquel Carneiro é jornalista e já ganhou apelidos piores do que Rapunzel... mas fica pra outra história!

 

Crônica originalmente publicada na revista Atrevidinha, ed 62



Escrito por Rachs às 17h15
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Coisa de criança?

 

Coisa de criança?

Eu tenho um ursinho de pelúcia. Pronto falei! E sim, durmo abraçadinha com ele sempre. Por que estou falando isso? É que, por parecer adulta do lado de fora, tem quem ache bem estranho eu ter um brinquedo por perto.

Minha mãe me deu o fofo quando eu tinha 11 anos, bem na fase em que minhas amigas já começavam a deixar de lado seus brinquedos para assumirem a pose de adolescente. Enquanto eu ainda gostava de assistir a desenhos e brincar de boneca.

Para não ser excluída, decidi continuar brincando escondida e fingir que já era a tal mocinha que todos falavam. Quando estava com meus brinquedos e ouvia alguém chegando, já batia o desespero. A tensão de ter de esconder as bonecas, ursinhos e afins era tanta, que poderia ser comparada a assistir ao lindo Edward brigando com os Volturi em Lua Nova.

Certo dia, na correria de esconder meus brinquedos, esqueci uma boneca à vista. Um primo “superlegal” a encontrou e começou a me zoar, sacudindo a pobrezinha para lá e para cá. Meu coração ficou apertado. Queria muito que todos continuassem pensando que eu era a quase-adulta responsável e crescida, e não mais uma criancinha boba. Mas também queria muito minha boneca de volta.

Foi então que tomei a decisão mais madura que aquele momento me permitiu. Eu olhei para minha mãe com os olhos cheios de lágrimas e falei:

— Mãe, manda ele devolver minha boneca.

Claro que todos olharam com cara feia para o primo do mal e, sem graça, ele me devolveu a coitada. Eu não ligava para o que falariam, pois era fato que eu ainda não estava pronta para me desfazer de nenhum dos meus brinquedos, e enquanto não estivesse bem segura com essa ideia, não o faria.

Passou um bom tempo depois desse episódio até chegar o dia em que os brinquedos começaram a ficar sem graça para mim e os dei para uma criança de verdade. Mas não, não consegui dar meu ursinho querido, e até hoje ele enfeita minha cama, com sua carinha de velho, mas me lembrando sempre que eu tenho a idade que eu quiser e que se divertir como uma criança pode ser o máximo até depois de já ter crescido um montão.

Texto publicado na revista Atrevidinha, ed 73.

 



Escrito por Rachs às 17h40
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Caderno dos Sonhos

Caderno dos sonhos

 

Eu tinha um sonho (muita gente fala isso, não é mesmo?). Mas um dia deixei de acreditar que ele se tornaria verdade. O pobrezinho me olhou bem nos olhos e implorou com cara de dó, que não desistisse dele. Mas tudo parecia tão difícil... tão impossível.

Então o deixei ali no cantinho. Vou pensar, disse. Não sei se vale a pena continuar acreditando em você.

Sai para dar uma volta, conversei com pessoas diferentes, e continuava achando essa história de acreditar em sonhos coisa de criança. Afinal, eu já era uma mocinha e não tinha tempo para besteiras, como sonhar acordada que ganharia um superpresente, ou conheceria meu ídolo, e quem sabe faria uma viagem maravilhosa. Eram tantos pensamentos distaaaantes, que só me faziam desistir mais ainda do pobrezinho do sonho, que larguei no chão do meu quarto, trancado, para que não me perseguisse na escola ou em outro lugar.

 Mas foi nesse dia que percebi o quão triste era andar por ai sem ele. Eu bem que gostava de sonhar no tempo livre. E quando um desejo se realiza, então! Não é sempre, mas é tão bom quando isso acontece!

Foi então que voltei para casa correndo e dei um abraço no meu sonho, que já estava sonolento de tanto tédio, e decidi dar uma casa a ele, criando o “Caderno dos sonhos”. Todo começo de ano eu compro um caderno e ponho ali tudo que desejo para o próximo ano. Não é uma lista de coisas para fazer, mas sim uma lista de coisas para serem sonhadas, e, por que não, alcançadas.

Funciona assim: em 2009 eu quero uma viagem para Londres, então eu recorto em alguma revista a foto desta cidade e colo no caderno com a frase “eu vou!”.

Se quero namorar o Rodrigo Santoro (lembra, é dos sonhos, por isso tudo é possível), então colo minha foto ao lado da dele.... e assim por diante!

Sei que já estamos em fevereiro, mas que tal fazer o seu caderno dos sonhos para 2009? Ainda dá tempo! Corra, porque também acabei de fazer o meu. Seus sonhos agradecem pela nova casa e pela sua fé neles. 

 

Essa crônica foi originalmente publicada na revista Atrevidinha, ed 58 - Fevereiro de 2009.



Escrito por Rachs às 18h23
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Mundo em cores

 

“Era uma vez uma cor muito rara e muito triste que se chamava Flicts. Não tinha a força do Vermelho, nem a imensa luz do Amarelo, nem a paz que tem o Azul. Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts”.

Esta frase é de um dos meus livros favoritos da vida: Flicts, do escritor Ziraldo. Lembro que quando li pela primeira vez me senti superbem por, enfim, conseguir nomear aquele lápis sem personalidade. Sabe quando os lápis de cor são tão usados, mas tão usados, que começam a ficar menores e menores, pois apontamos sempre? Pois bem... Esse lápis sem nome sempre terminava o ano maior do que os outros, de tão de lado que eu o deixava. Era uma mistura de amarelo com marrom, e só servia para fazer a areia da praia ou para pano de fundo de desenhos tristes. Até que li o livro de Ziraldo e me entusiasmei. Flicts! Este era o nome da cor sem graça. Então, só para demonstrar meu conhecimento, guardei este lápis em casa e, na escola, o pedia emprestado para os amigos com a frase: “Me empresta a cor Flicts, por favor?”. Infelizmente, ninguém me entendia. Felizmente, eu gostava muito de explicar!

Contei pra todo mundo que Flicts era bem infeliz por não conseguir fazer parte de nada e de nenhum desenho no mundo. Ele se sentia sozinho, excluído e diferente. Por isso, eu decidi usá-lo em todos os meus desenhos a partir daquele dia.

Por muito tempo continuei pensando na tristeza de Flicts e comecei a perceber ao meu redor muitas “pessoas Flicts”, que eram excluídas por outros simplesmente por serem de uma determinada religião, ou por não usarem as roupas mais caras, ou por não serem tão espertas ou bonitas.

E não me surpreendi quando olhei para mim mesma e vi que eu também era um tanto... Flicts! Foi que parei de me esforçar para fazer parte de algum grupo que não me aceitava do jeito que eu era, que só sabia olhar para minha aparência e para o que eu tinha ou não tinha. O próximo passo foi conhecer melhor as outras pessoas que eu mesma excluía, pois julgava sem saber como eram de verdade. Imaginem só minha surpresa ao encontrar amigos muito mais interessantes e divertidos do que os que eu tinha antes.

Hoje em dia continuo super-flicts! E, assim como no final do livro (que você deve ler!), eu encontrei o meu lugar neste mundo grande e cheio de cores para todos os gostos.

 

Raquel Carneiro é jornalista e, na maioria das vezes, parece igual, mas adora ser diferente

 

Texto originalmente publicado na revista Atrevidinha de novembro



Escrito por Rachs às 17h33
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Lembra?

 

Acho muito bonito como o ser humano adora falar de amor. Filmes, novelas, casais de reality shows, tudo parece motivo para falar do sentimento mais nobre do mundo. O amor. Pena que nem metade da população humana saiba o que é o amor puro. Todos amam. A sua maneira.

Amam o status social de seu parceiro. Amam as belas roupas que seu amigo exibe. Amam a mesada que o pai dá religiosamente. Amam um Deus que tem que dar coisas boas a vida toda se quer ser amado de vez em quando.

Temos mania de amar coisas. Não pessoas. Amamos aparências. Amamos causar inveja. Amamos fazer coisas para nos gabarmos depois.

Amamos fazer parte de um grupo para espalharmos por ai que somos normais e aceitos. Amamos fazer mal a quem nos fez mal.

Amamos ver quem não gostamos se dando mal.

Enfim, desconfio muito do uso do amor às avessas.

Pra mim o amor era diferente. Pra mim ele era um sentimento puro.

Lembra quando eu disse que te amava? Eu não menti. Eu só me enganei.



Escrito por Rachs às 12h29
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O tamanho da alma

"Quando eu disse ao caroço da laranja que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou estupidamente incrédulo"
(Hermógenes)

"Tamanho não é documento, diz a formiguinha com desdém. Enquanto a baleia está em extinção, eu vou indo muito bem"
(Silvio Ribeiro de Castro)



Escrito por Rachs às 18h48
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E o Rio de Janeiro ficou, por alguns minutos, mais bonito

 

Às vezes me pergunto por que decido colocar meus pés no mundo das baladas de novo. E pior, por que continuo a ir sozinha com uma amiga bonita, que logo vai ser cantada por um cara e vai me abandonar no meio da pista.

Mas ok, era só mais essa vez, afinal, não é todo dia que se está no Rio de Janeiro, em pleno alto verão, cheio de festas com famosos e contatos profissionais em potencial. Ahhh quem eu quero enganar, o único contato que eu queria fazer não tinha nada de profissionalismo. Mas essa nunca deixa de ser uma boa desculpa para infiltrar minha cara paulistana (avermelhada pelo excesso de sol) em uma das festas mais badaladas da noite carioca.

Sem delongas, lá estava eu, duas horas depois do inicio da festa, já abandonada pela minha amiga bonita, e também pelo DJ, que decidiu tocar todas as piores músicas do inicio dos anos 80, e pelos meus pés, que são os primeiros a quererem ir para a casa, sempre.

Abandonada e levemente gripada, a solução não era outra a não ser ficar balançando de um lado para o outro perto de um grupo cheio de pessoas, para parecer que estava com eles. Claro que quando notada como intrusa, essas pessoas se fecharam no seu mundo e me excluíram com todo prazer. Esse é o momento que dá a maior vontade de cruzar os braços e encostar em algum lugar, mas não. Cruzar os braços na balada é assinar o suicídio social e pedir para que um bêbado chato venha mexer com você, falando para não ser tão desanimada e ir dançar com ele no meio da pista. Braços cruzados não Raquel, nunca.

Outra maneira de fingir que não está sozinha e infeliz em uma festa é procurar um bom lugar para sentar, só para parecer que está dando um tempo, ou fugindo de um ex-namorado, ou simplesmente mandando uma mensagem para alguém – ter um celular neste momento é crucial.

Tudo que eu queria naquele momento era estar com meu All Star sujo e incrivelmente confortável, e minha camiseta da Amelie Poulain, para que algum reparador me apontasse dizendo: Veja, uma paulista fora do ninho.

Mas isso nem era necessário, eram tantas mulheres bonitas e malhadas naquela festa, que passar despercebida com cara de turista foi a coisa mais fácil que fiz durante as férias.

Foi quando, de repente, ele sentou na cadeira ao meu lado.

- Oi, cansou da festa? – perguntou o cara, o que eu mais queria ver no mundo no mundo dos famosos, o motivo por eu ter pago a entrada mais cara da minha vida, ali, do meu lado.

Seja inteligente, seja inteligente, pensava minha cabeça na esperança de chamar a atenção de alguma maneira, que eu esperava que mais nenhuma outra menina/modelete da festa conseguiria.

- Éhhh... um pouco.

Caraca Raquel, isso não foi inteligente.

- Você é de São Paulo? – perguntou ele olhando bem no fundo dos meus olhos.

- Pois é, como descobriu? Pela falta de jeito na noite carioca?

- Não, foi mais pela marca de biquíni que mostra que você torrou no sol, como se nunca o tivera visto!

Aiai... esses atores que pagam de carioca. Mas eu estava tão feliz de falar com ele que ri como se fosse a coisa mais engraçada que tivesse ouvido na vida.

- Na verdade desconfiei que fosse de SP, pois você estava tirando foto da decoração. Ninguém no Rio tira fotos de coisas que acham bonitas.

Pois é, e nem de famosos... infelizmente, pois meu maior desejo neste momento era arrancar minha máquina fotográfica da bolsa e fazer um book desse cara. E também preciso lembrar, a decoração era artística e criativa o suficiente para que eu quisesse guardar para sempre.

Assim continuamos a conversar. Ele me perguntou sobre minha vida, eu contei tudo, sem esconder quase nenhuma parte. E eu perguntava sobre ele, como se já não soubesse tudo que se poderia saber.

Eu odeio livros de auto-ajuda, mas quer saber? Tudo que eu queria naquele momento era já ter lido algum com o tema: 10 maneiras de agir quando conhecer um famoso que admira muito sem deixá-lo perceber que você o admira muito.

Ao reparar ao meu redor, me senti em um episódio de Gossip Girl, no qual todas as meninas da festa nos olhavam, me recriminando: Como assim, ele está falando com essa esquisita que tem a coragem de vir a uma festa de cabelo enrolado??? Impossível.

Eu também achava impossível, até o momento que ele chegou sua cadeira mais perto da minha e pegou da minha mão, encostando levemente seus dedos nos meus, para pegar minha câmera, enquanto eu mostrava as fotos das paisagens cariocas que tinha feito.

- Olha só... eu já tinha esquecido como a vista do Pão de Açúcar era bonita. Faz tantos anos que não subo lá.

Bonito era ele, olhando atentamente minha câmera e pegando no meu joelho toda vez que queria me mostrar sua foto favorita.

- Você é uma artista, ham? Tirou fotos lindas.

- Pois é, eu tiraria uma com você agora se não fosse brega tirar fotos de famosos no Rio de Janeiro.

Ele riu muito. Foi então que apontou a câmera para nós dois, segurando com força na minha cintura, e tirou nossa foto. Ele me entregou a câmera sorrindo e disse:

- Essa é para você não se esquecer do chato que veio te incomodar enquanto você estava entediada com a balada.

Como se fosse possível esquecer aquele momento. Quando decidi tomar alguma atitude, convidá-lo para ir de novo ao Pão de Açúcar, ou algo menos turístico, o celular dele tocou. Me pediu licença para atender. Ficou alguns minutos em pé, enquanto os paparazzos se posicionavam, esperando, assim como eu, que entre nós saísse uma boa fofoca para as manhãs de segunda-feira.

- Desculpe, eu estou esperando uma pessoa. Ela está lá na entrada e não quer subir. Preciso ir.

Ir? Pra onde? Com quem? Como assim?

Deveria existir um livro com o nome: Como ser famoso e não quebrar o coração das pobrezinhas que são apaixonadas por nós e não temos a responsabilidade de saber isso.

- Ok – respondi seca, querendo jogar algo pesado na testa dele.

- Foi um prazer te conhecer Raquel, a jornalista de São Paulo que tem o sorriso mais bonito que já vi. Quando estiver por lá eu te ligo para fazermos algo.

- Ahh claro, assim que você pedir meu número de telefone, certo?

Risos a parte, ele se foi no meio da multidão, com direito a gelo seco e luzes coloridas, para simboliza que aquele era o fim, não só de um momento, mas também de um sonho. Enquanto as menina/modeletes/chapinhas me olhavam com pena e o balãozinho acima de suas cabeças estava escrito: pobrezinha, achou mesmo que ele estaria afim dela...

É, eu achei.

Assim como muitas vezes achei que lugares cheios de pessoas lindas, ricas e famosas também fosse meu lugar, mas não sei mais se acredito nisso, afinal, se não posso usar minha blusinha da Amelie e meu All Star encardido, qual a graça disso tudo?



Escrito por Rachs às 01h02
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O primeiro a gente nunca esquece

Depois de muito sonhar, pesquisar e pechinchar, eu o comprei. Meu primeiro laptop - pois é querido, não vou lhe enganar escrevendo em você que serás o único e eterno computador portátil da minha vida, já que seja eterno enquanto dure, posto que é aparelho tecnológico e em breve ficarás ultrapassado.
Enfim, finalmente enfiei as mãos pelas solas dos pés e cavei um pouco mais as dívidas financeiras que adoro angariar, afinal, o que é uma mulher em pleno século XX, no auge da revolução feminista, independente, que ainda usa algarismos romanos, se ela não tem um laptop para lhe ser a única coisa que faz barulho e tem temperatura na cama além dela? Decidida. Comprei o bichinho para poder escrever enquanto estou deitada antes de dormir a toa.
Ligo a criança, em estado de êxtase, e descubro mais uma dura verdade: além de carente estou fincando ultrapassada. Primeiro: por que esse bendito do windows precisa ficar mudando todo ano?  Ele não funciona direito em nenhuma de suas versões mesmo. Segundo: como se usa esse tal de windows vista? Já quero deixar claro que a única empresa com nome bem parecido já me levou mais dinheiro do que qualquer loja de sapato na vida. 
Começo a fuçar meu novo brinquedo e desligo desconsolada uma hora depois. Que foi minha filha? Não está feliz com o computador? Estaria mãe, se eu soubesse pelo menos onde fica o word dele...
Depois de algumas horas de mau humor decido dar lhe uma nova chance, assim como ao seu teclado resumido e apertado. E aqui estou, achei algum programa parecido com um editor de texto que insiste em me corrigir erroneamente, enquanto escuto musicas clássicas que já vêm no lap. Aquelas músicas do tempo em que os homens não eram artigos de luxo e sim malucos que morriam de amor e tuberculose. Neste clima faço minha primeira de muitas crônicas que serão feitas nesse meu novo amigo que só precisa de um nome. Alguma sugestão?



Escrito por Rachs às 16h04
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Ensaio sobre a natureza humana

 

Este final de semana assisti ao filme Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles e baseado na obra do fantástico Saramago. Na história as pessoas começam, sem motivo, a perder a visão. Em um mundo onde ninguém vê nada o caos domina, pois a natureza freak animal dos seres humanos é quem manda.

Desde então não consigo pensar em outra coisa a não ser, e se agora, de repente, todo mundo ficasse cego? De repente a beleza visível das coisas se tornou desnecessária e os homens bonitinhos que vejo na rua só me fazem pensar uma coisa: e se ficássemos cegos agora? O que esse cara faria? Se tornaria um maluco sem respeito e sem medo de nada, pois seu anonimato está preservado? Ou seria um cara legal, daqueles que tentaria ajudar a outros, depois, é claro, de se acostumar com o susto da sua nova condição?

Como tudo converte para o mesmo lugar, eis que ontem eu estava andando a caminho de casa e um cara, cego, estava com seu cão guia e me olhou... como se me enxergasse... e pediu uma informação: Onde fica o Hospital 9 de Julho?

Fiquei sem saber direito como fazer, pois o hospital estava muito perto de nós, era só apontar para frente para alguém ver a direção. Mas apontar não adiantaria, certo? Então expliquei passo a passo como ele chegaria lá, como sou uma boa mulher sem muito senso de direção e de explicação, desisti e falei para ele me seguir que eu passaria ali em frente.

Enquanto andávamos ele fez muitos comentários do tipo: quantos carros parados! Ou chegando perto da rua que atravessaríamos ele diz: podemos atravessar? Fiquei meio assustada, como ele enxergava sem ver?

Deixei o rapaz e seu liiindo cão labrador guia no hospital e segui pensando...

Se em terra de cego quem tem um olho é rei... em terra que a maioria enxerga, quem consegue conversar com um estranho, por mais de um quarteirão e sem ver seu rosto, é quase um milagre.

Pois é... na real não percebemos, mas são os olhos que nos impedem de ver.



Escrito por Rachs às 11h30
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Motivos

 

Sou uma fissurada por seriados. Consigo assistir temporadas em poucos dias e, se necessário, revê-las. Ok, passada a introdução, o motivo inicial era dizer que estou em uma fase total feminina com diversos episódios de Sex And The City. Ou seja, mulheres sozinhas cheias da grana, com amizades impossíveis e homens mais impossíveis ainda, ah, e claro, muito sexo.

Resumo da ópera: estou ficando deprimida.

Mas como toda boa série-maníaca. Seriado começado é seriado terminado.

E enquanto Sex And The City apresenta mulheres que conseguem marcar um encontro com um desconhecido na padaria ou em uma loja de móveis, eu não consigo um nem se for a um lugar com o nome “Encontre um Homem Hetero Aqui” - setinha luminosa apontando para a porta. Então fiz uma reunião de informações sobre o porquê estou solteira. Confira:

 

Segundo a galera do trabalho:

Você é muito exigente

 

Segundo meu ex:

Você é meio louca (ok, o meio eu que coloquei para não ficar chato)

 

Segundo o amigo tarado do meu ex:

Você deveria ficar comigo

 

Segundo minha amiga lésbica:

Tem certeza que é de homem que você gosta?

 

Segundo minha melhor amiga:

Calma... tudo tem seu tempo.

 

Segundo o namorado da minha melhor amiga:

Mas você ainda não tem um namorado, Raquel?

 

Segundo minha roomate:

Você gosta de pés sujos cults e não está mais na faculdade.

 

Segundo minha mãe:

Você usa All Star com vestido!

 

Segundo minha mãe parte 2:

Você só anda no shopping Frei Caneca.

 

Segundo minha líder religiosa:

Você ainda não está pronta.

 

Segundo eu:

Preciso parar de assistir Sex And the City



Escrito por Rachs às 17h20
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A vida como ela é...

 

Para quem não sabe, essa que vos fala veio lá do interior... E como é muito comum nas regiões interioranas do Brasil, todo ano, toda cidade, faz uma das famosas festas de rodeio, com direito a roupa country, duplas sertanejas e maçãs do amor.

Quando você é criança essas festas são divertidas pelos brinquedos graaandes - que mais tarde vai descobrir que são muito comuns em parques que você não sabia que existiam, como o Playcenter - e ai você se pergunta: como eu não morri andando naqueles negócios? Segurança é luxo nesses parques alternativos que viajam pelo interior com brinquedos de 1940...

Depois de sobreviver, a duras penas, minha atração preferida nessa festa era a torneira mágica. Gente, juro que ela era mágica. Era meio assim: a torneira não tinha cano atrás e ficava jorrando água! E eu, em meu pequeno e pouco desenvolvido cérebro, ficava atônita olhando aquela água jorrar da torneira enquanto, quase cética, passava a mãozinha atrás da torneira – onde supostamente deveria estar o cano – para ter certeza que um cano invisível não estava ali o tempo todo passando a água mais invisível ainda.

Foi muito tempo aguardando o único dia do ano no qual minha mãe me levaria a tarde no parque para depois poder ver a torneira mágica.

Até que um ano qualquer, minha curiosidade me matou... (lembra? A curiosidade matou a gata?? Ham... ham... pegou?). Cheguei bem perto da torneira e sua água jorrando e meti o dedão na água que caia. Pronto. Lá estava o cano transparente com a água que descia e subia por ali, pois mais água vinha do cano que estava no prato onde a água “caia”, embaixo da torneira, o tempo todo.

Meu mundo caiu...

Até hoje não me recuperei...



Escrito por Rachs às 10h12
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Promessa não cumprida

 

Como prometido no post anterior... não... não cumpri minha própria promessa feita pra mim e pra mais ninguém.

Que triste, ham? Se não cumpro as promessas feitas por mim para mim, quem irá cumprir?

Mas deixando o drama de lado, cá estou com mais um texto sem muito sentido para que meu blog não seja desativado! Odeio pressão...

 

Beijos e até semana que vem! (Dessa vez eu prometo que atualizo!)



Escrito por Rachs às 09h54
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De volta ao passado

Depois da falta de tempo, "mudança" de emprego e os obstáculos da vida, eis que eu, Raquel Carneiro, retorno à vida de blogs e pensamentos soltos traduzidos em palavras!

 

Sejam bem-vindos e até a próxima viagem (com atualizações semanais dessa vez).

 



Escrito por Rachs às 12h07
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